
ast - 19x27
Quando cheguei em Trancoso, sul da Bahia, no final dos anos 80, não imaginava a beleza do lugar. Na época o pequeno lugarejo de pescadores, perto de Porto Seguro, não tinha a fama que tem hoje, parada obrigatória de gente famosa. Lembro que o sol mergulhava no mar, tingindo-o de laranja, cenário de tirar o fôlego. Fiquei parado à porta da pousada, negando-me a perder o espetáculo. Querendo mais, larguei a mochila no chão, e fui em direção ao mar. Àquela hora os pescadores voltavam da pescaria, recolhendo redes e o resultado da pesca. Cenário para grudar na retina e jamais soltar-se. Não satisfeito, entrei na água morna, com ímpetos de mergulhar como estava, de tênis e calça. E foi o que fiz. Mergulhei. Afundei-me nas ondas quentes, deixando-me levar, fitando as primeiras estrelas fincadas no azul sombrio. Agora, vendo o inverno enveredar casa adentro, feito sombra que se alonga, a lembrança daquele longínquo banho em Trancoso me aquece corpo e alma.